Terminologia Funcional da Atividade Muscular

24 Nov

Muitos termos diferentes podem ser encontrados na literatura para classificar a função dos músculos quando eles atuam na movimentação articular. Estes termos incluem agonista, motor principal, antagonista, sinergista, sinergista verdadeiro, sinergista auxiliar, motor auxiliar, neutralizador, fixador e estabilizador. Algumas destas palavras são sinônimas, e algumas destas palavras têm definições diferentes. Embora não seja difícil determinar se um músculo está ou não se contraindo (pela palpação ou EMG), é difícil averiguar a finalidade ou razão pela qual um músculo está se contraindo. A fim de reduzir o debate semântico, apenas três termos ou seus sinônimos são usados neste texto: agonista, antagonista e sinergista.

Agonista:

Um músculo (ou grupo muscular) que está se contraindo que é considerado o principal músculo produzindo um movimento articular ou mantendo uma postura é designado um agonista (do grego agon, competição), ou motor principal. O agonista sempre se contrai ativamente para produzir uma contração concêntrica, isométrica ou excêntrica.

Antagonista:

O antagonista (do grego anti, contra) é um músculo (ou grupo muscular) que possui uma ação anatômica oposta à do agonista. Usualmente o antagonista é um músculo que não está se contraindo e que nem auxilia nem resiste ao movimento, mas que passivamente se alonga ou encurta para permitir que o movimento ocorra. Assim, no exemplo da flexão do punho, quando a palma está de face para o tampo da mesa, os extensores do punho são agonistas e os flexores são antagonistas. A classificação inverte-se quando o dorso da mão está voltado para a mesa (antebraço supinado) e o punho é flexionado contra a gravidade. Neste caso, os flexores do punho são agonistas, e os extensores do punho são antagonistas.

Sinergista:

Um músculo pode ser definido como um sinergista (do grego syn, junto; ergon, trabalho) sempre que ele se contrai ao mesmo tempo que o agonista. A ação de um sinergista pode ser idêntica ou aproximadamente idêntica à do agonista – como quando o braquiorradial atua com o braquial durante a flexão do cotovelo. Um sinergista pode impedir uma ação indesejada de um motor principal, tal como o pronador redondo impedindo a ação de supinação do bíceps do braço durante a flexão do cotovelo, ou os extensores do punho impedindo a flexão quando os flexores longos dos dedos contraem- para fechar a mão. Os sinergistas comumente atuam isometricamente  em articulações muito distantes do movimento principal para fixar ou estabilizar  articulações proximais de tal modo que o movimento possa ocorrer nas articulações distais.

Funções de fixação são mais frequentemente realizadas pelos músculos do que as funções de agonistas ou antagonistas. Esta importante função é necessária porque quando o agonista contrai-se, sua força é distribuída igualmente a ambas as suas fixações distais e proximais. Assim, ambos os ossos (segmentos) nos quais o músculo é inserido poderiam mover-se. Para que um movimento desejado ocorra em um segmento, o outro segmento deve ser fixado. Isso é realizado por contrações musculares automáticas para estabilizar e impedir o movimento indesejado de um segmento. Esta importante ação de fixação dos músculos pode ser demonstrada quando se fecha a mão e aperta com força. Mesmo quando o antebraço está repousando sobre a mesa, contrações isométricas fortes podem ser palpadas nos músculos do antebraço, braço, ombro, escápula e mesmo no tronco.

As relações dos músculos como agonistas, antagonistas e sinergistas não são absolutas. Elas variam com a atividade, posição do corpo e a direção da resistência que o músculo tem que superar. Estas relações que se modificam são ilustradas nos registros EMG dos músculos tríceps do braço e bíceps e braquial durante os movimentos de flexão e extensão do cotovelo (Fig. 4-3). Quando o sujeito sentado flexiona o cotovelo para levantar uma carga na mão, os flexores contraem-se concentricamente e são classificados como agonistas. Os extensores antagonistas estão relativamente relaxados e alongam-se para permitir o movimento de flexão do cotovelo. À medida que o cotovelo é a seguir estendido para baixar a carga, os flexores realizam uma contração (ação) excêntrica e ainda são classificados como agonistas (Fig. 4-3 A). Os extensores permanecem inativos e ainda são os antagonistas. Entretanto, quando o sujeito é posto na posição supina com o ombro em 90º  de flexão e executa os mesmos movimentos de flexão e extensão do cotovelo, as relações agonistas-antagonistas são invertidas (Fig. 4-3b). Neste caso, os extensores do cotovelo são os agonistas para a extensão do cotovelo (contração concêntrica) e para a flexão do cotovelo (contração excêntrica), enquanto os flexores são antagonistas para ambos os movimentos.

Uma troca interessante da classificação agonista-antagonista  nos mesmos movimentos de flexão e extensão do cotovelo ocorre quando o sujeito está na posição deitada de costas (Fig. 4-3c). Neste caso, os músculos bíceps e braquial são os agonistas para a primeira parte da flexão do cotovelo, mas quando o cotovelo passa de 90º, a direção da força de resistência muda, e o tríceps torna-se agonista. O agonista para extensão do cotovelo nesta posição é o tríceps até 90º , mas a responsabilidade por controlar o resto do movimento é assumida pelos flexores do cotovelo (contração excêntrica). A aplicação de resistência manual através de todo o movimento de flexão e a seguir extensão (Fig. 4-3d) ilustra adicionalmente o princípio de que os músculos atuam de acordo com a resistência que eles encontram em vez de com o movimento da articulação.

 

 

Outros exemplos das relações variáveis entre estes músculos estão mostrados na figura 4-4. Na figura 4-4 A, o bíceps está atuando como um agonista no movimento de supinação (juntamente com o supinador), e o tríceps está atuando como um sinergista para impedir a flexão do cotovelo. Os antagonistas neste caso são os pronadores. Nos movimentos de pronação e flexão dos dedos para testar a força do aperto de mão (Fig. 4-4B, C), os extensores do cotovelo estão atuando como sinergistas para estabilizar o cotovelo. Os flexores do cotovelo são relativamente inativos mesmo com um esforço de aperto máximo.

A classificação agonista-antagonista é usada em movimentos simples de cadeia aberta. Em movimentos rápidos, fortes ou de cadeia fechada pode haver outra terminologia usada, tal como acelerador ou desacelerador, ou pode haver contração de músculos. Por exemplo, quando ficando de pé ou sentando-se, ao mesmo tempo os músculos quadríceps da coxa e os posteriores da coxa (hamstrings, isquiotibiais) contraem-se para produzir os movimentos necessários nos joelhos e quadris.  O conceito importante é que se um músculo tem que produzir um movimento, ele não pode ser impedido por músculos antagonistas anatômicos. Clinicamente, esse impedimento ocorre com as contraturas musculares e com hipertonia ou espasticidade de músculos.    

  Referência:

Cinesiologia Clínica de Brunnstrom – Quinta Edição

3 respostas para “Terminologia Funcional da Atividade Muscular”

  1. weliton 11 de Maio de 2012 at 4:01 accutane doses other

    Ola, gostaria de saber se tem algum musculo atuando senergicamente no movimento da corrida nas articulações do quadril e joelho. Pois consultei dois professores e um falou que o sinergista seria os adutores e abdutores e o outro falou que nao por ser um movimento continuo enquanto um contrai o outro relaxa. E ai sera que podem me ajudar?

    • Níkolas Chaves Nascimento 12 de Maio de 2012 at 14:13 #

      Tudo Bem! Obrigado por acessar o site!
      Sugiro a leitura do Capitulo 15 (Cinesiologia da Caminhada) do Livro Cinesiologia do Aparelho Musculoesqulético – Fundamentos para a Reabilitação Física. Autor Donald A. Neumann. Com a leitura deste capítulo sua análise será mais aprofundada e sua pergunta respondida!
      Abraço!

      • weliton 15 de Maio de 2012 at 22:44 #

        Ok, vou buscar esse livro, obrigado pela ajuda!
        Abraço..

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